A Copa do Mundo FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de 2016 foram momentos que vão ficar para sempre na memória de muitos brasileiros.

Pela primeira vez, o nosso país sediou, em apenas dois anos, dois dos maiores eventos esportivos do planeta!

Em 2014, por exemplo, mais de 6,4 milhões de visitantes estrangeiros vieram ao Brasil, com a chegada de mais de 1 milhão de turistas durante a Copa do Mundo.

Já em 2016, as cerca de 1,2 milhão de visitantes passarem pelo Rio de Janeiro durante os Jogos. Esses números são a prova do tamanho e da importância desses eventos.

Porém, é sempre bom lembrar que toda essa festa teve um preço!

Tanto a Copa, quanto os Jogos Olímpicos exigiram grandes investimentos, muitos dos quais foram feitos com dinheiro público e criaram impactos (positivos ou negativos) para o dia-a-dia das pessoas.

E, como cidadãos, fiscalizar é a nossa função!

Vamos descobrir um pouco mais sobre o que está por trás desses grandes eventos?

1. Muitos investimentos foram realizados

Receber, hospedar, mover e manter a segurança de inúmeros atletas e turistas não é uma tarefa fácil, concorda?

Para isso, foram necessários diversos investimentos na infraestrutura das cidades que sediaram os eventos.

Em outras palavras, isso significa que muitos recursos foram gastos para se certificar de que as cidades-sede conseguiriam dar conta de todas essas tarefas.

Arenas esportivas, hotéis, transportes: tudo isso custa caro e é imprescindível para que os eventos ocorram bem!

Na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos do Brasil, muitos recursos públicos e privados foram utilizados para realizar esses investimentos. Veja:

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Está vendo? Na Copa do Mundo, o dinheiro público cobriu a grande maioria dos investimentos, enquanto que, nos Jogos Olímpicos do Rio, corresponderam a pouco menos da metade do total.

2. Os eventos custaram menos que a infraestrutura

Mas, afinal, onde foi parar todo este dinheiro?

Veja, abaixo, como foi gasto cada recurso utilizado na Copa e nas Olimpíadas:

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Como você pode ver, os gastos com transporte (mobilidade urbana, aeroportos, etc.) foram maiores do que os gastos com os eventos em si.

Isso se deve por conta do alto preço dessas obras.

Apenas a construção da linha 4 do metrô do Rio de Janeiro, projeto mais caro das Olimpíadas, custou cerca de R$ 9,7 bilhões – quase um terço dos gastos totais.

Para a Copa do Mundo de 2014, várias obras foram realizadas nas doze cidades-sede.

Você, que vive ou viveu nessas cidades, sentiu alguma melhoria na sua mobilidade?

3. Os governos brasileiros não organizaram os eventos sozinhos

Apesar de boa parte do dinheiro utilizado na preparação tenha vindo do poder público brasileiro, ele não esteve sozinho na preparação e organização dos eventos.

A Copa do Mundo é um evento da Federação Internacional de Futebol (FIFA), fundada em 1904 e com sede em Zurique, na Suíça.

A atuação da FIFA se deu por meio do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo FIFA 2014 (COL).

O COL cumpriu um papel de supervisão, se certificando de que os vários padrões que a federação exige para os seus eventos fossem cumpridos.

Eles também foram responsáveis por organizar um programa de voluntários e por garantir a segurança dentro e ao redor dos estádios.

Entrevista do Comitê Organizador Local da Copa (COL). Foto: Tânia Rêgo/ABr
Entrevista do Comitê Organizador Local da Copa (COL). Foto: Tânia Rêgo/ABr

Já para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 é o principal organizador dos eventos.

Ele é responsável por colocar em prática aquilo o que exigido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC) para a sua realização.

A participação do poder público brasileiro se deu por meio da Autoridade Pública Olímpica (APO).

A APO é formada por representantes de todos os governos envolvidos na realização dos Jogos: o governo federal e os governos estadual e municipal do Rio de Janeiro.

Oficialmente, ela é um consórcio público criado especificamente para a realização dos Jogos, fazendo parte da administração pública indireta.

4. É difícil medir o impacto positivo na economia

Ainda é muito cedo para falar nos benefícios das Olimpíadas e Paraolimpíadas do Rio, mas é possível fazer algumas previsões.

A Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur) estimou que os Jogos injetaram cerca de R$ 5,6 bilhões em turismo.

Os visitantes estrangeiros gastaram, em média, R$ 424,62 por dia, enquanto os visitantes brasileiros gastaram, em média, R$ 310,42.

Para a Copa do Mundo, por outro lado, já temos alguns números mais detalhados.

Segundo uma estimativa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), o evento teria somado R$30 bilhões na economia do país.

Os que mais se beneficiaram do evento foram os setores ligados ao turismo, como hotéis e bares.

Outros setores da economia sentiram pouco impacto, ou, como no caso da indústria, vieram a ter prejuízos durante a realização da Copa.

A realidade é que o debate sobre os benefícios reais de receber grandes eventos esportivos está acontecendo ao redor do mundo.

O Estádio do Maracanã viu as festas de abertura e encerramento, além de várias competições esportivas
O Estádio do Maracanã viu as festas de abertura e encerramento, além de várias competições esportivas

E você, o que acha?

Por mais que seja quase impossível deixar passar as competições emocionantes, também é difícil ignorar os custos para se realizar esses eventos.

A decisão, nesses casos, deve recair sobre o público que irá pagar a conta da sua realização, em tempo e recursos.

Então debata com os seus amigos e familiares, se informe mais sobre o assunto e busque ouvir outras opiniões.

Assim, é possível ter confiança na sua própria opinião e participar das discussões como um cidadão consciente.

Pode ter certeza: a opinião de um cidadão consciente vale ouro! 🙂

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Rafael Paraiso
Estudante de ciência política e uma trívia ambulante, pois nenhum conhecimento é demasiado ou desnecessário! Apaixonado desde cedo pela política, quando ela não passava de algumas ilustrações bonitas em livros de história, transformei essa paixão em um diploma e agora me dedico a pensar cientificamente uma das partes da vida humana que mais suscita paixões. Se terei uma carreira na academia ou no dia-a-dia da política, ainda estou tentando descobrir. O que sei por agora é que a minha fascinação veio da incrível capacidade da política de gerar mudanças positivas na vida das pessoas, desde que conte com a participação de toda a sociedade. Entender como a política funciona é essencial para saber como isso é possível e fazer acontecer, e é aqui que o trabalho do Politiquê? (e, espero, a minha contribuição) fazem toda a diferença!

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