O Projeto Politiquê?, como vocês sabem, é formado por uma equipe de voluntários, isto é, jovens que resolveram dedicar parte do seu tempo para desenvolver suas habilidades em um projeto social sem ganhar dinheiro com isso. Olha que frisamos o “sem ganhar dinheiro”, pois há, sim, múltiplos ganhos envolvidos no trabalho voluntário: não é à toa que há tanta gente engajada! Nesta série, vamos entrevistar algumas pessoas que fazem ou já fizeram parte de algum corpo de voluntários, para conhecer melhor o perfil delas e o que as motiva a doar tempo e dedicação sem um retorno financeiro imediato. Quem sabe você não descobre que se encaixa nesse perfil?

Entrevista do dia: Rafael Morato, Servidor Público Federal (UFPE)

rafa morato

Como foi a sua experiência de voluntariado?

Trabalhar como voluntário foi uma das experiências mais incríveis que já tive. Participei do CPDH – Centro popular de Direitos Humanos, um grupo de advogados populares (sonhadores e idealistas) que dá assistência jurídica gratuita aos assessorados. Contudo, a ideia principal do Centro não era assistir permanentemente as pessoas em vulnerabilidade social. O mote era dar empoderamento jurídico na medida das nossas possibilidades, para que aquelas pessoas conseguissem se organizar coletivamente e lutar por seus direitos. O publico alvo do CPDH, em sua maioria, era de pessoas que moravam em propriedades urbanas abandonadas há anos, normalmente décadas, mas que após todo esse tempo apresentavam disputas em virtude de litígios judiciais e policiais por parte do proprietário formal. Também atuávamos junto a ambulantes urbanos, perseguidos de protestos e movimentos sociais, e quaisquer pautas jurídicas relacionadas aos direitos humanos. O CPDH fazia reuniões campais com as famílias que ocupavam o local e dava orientações, principalmente jurídicas, para que eles soubessem o que estava acontecendo.

O que levou você a procurar esse tipo de experiência?

A minha busca por essa experiência foi o fato de ser uma pessoa construída na vulnerabilidade social e por acreditar que é possível uma transformação social a partir de diálogos e construções de direitos humanos.

Quais foram os reflexos que o trabalho voluntário teve na sua carreira profissional?

Os retornos que tive a partir da experiência do voluntariado são essenciais para mim. Aprimorei o meu respeito pela diversidade, o entendimento de que existem pluralidades que precisam ser consideradas mesmo em um segmento social específico e que o diálogo entre os contextos sociais é extremamente necessário para uma democracia sadia que tenta contemplar, na medida do possível, os interesses de todxs.

E na sua vida pessoal?

Foi inevitável para a minha vida entender que existem diversas formas de existir, diversas vulnerabilidades e que a gente precisa estar aberto para tentar entendê-las e, no mínimo, respeitá-las.

Você acredita que o trabalho voluntário vem impactando/pode impactar o mundo?

Acredito piamente no impacto positivo que o trabalho voluntário pode ter no mundo.

Que conselho você daria para as pessoas que estão pensando em se engajar em algum tipo de causa na condição de voluntários?

Para quem pensa em se engajar em algum trabalho voluntário apenas um conselho: Vá! Siga! Comece. Todo mundo sempre tem algo a oferecer e a aprender.


E aí, curtiu? Se você acha que se encaixa no perfil do voluntariado, que tal colocar a mão na massa? Em nossos posts, já falamos de ONG’s atuantes no Brasil (leia aqui) e no mundo (leia aqui).

Além disso, nós do Projeto Politiquê? estamos sempre de olho em novos talentos para somar à nossa equipe! Caso tenha interesse, temos um canal em nosso site para as pessoas interessadas, que você pode checar http://projetopolitique.com.br/trabalho-voluntario. 🙂

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