Dona Maria é sempre a responsável pelas compras da casa.

Todas as sextas-feiras à tarde, horário que Dona Maria tem disponível durante a semana, ela vai até o mercado perto da sua casa para comprar tudo o que precisa.

Ela compra carnes, pães, ovos, vegetais, e várias outras coisas para ela e a sua família passarem os próximos dias.

Porém, em uma sexta-feira qualquer, Dona Maria percebe que a conta não está batendo. São as cebolas, estão quase o dobro do preço!

“Sem cebolas essa semana, então”, declara Dona Maria.

Mas as cebolas foram apenas o começo. Tomates, farinha, bananas, tudo começa a ficar mais caro. Até a carne bovina ficou de lado – agora, na casa de Dona Maria, só se come frango.

O que Dona Maria viveu – um aumento nos preços dos produtos – é o que se chama de inflação.

Com certeza quase todos os brasileiros já ouviram falar do dragão da inflação, que devora salários e prejudica a economia. Sem contar nas várias histórias de pessoas que passaram pelo que a Dona Maria passou – ou pior.

Para muitos, ainda assim fica uma pergunta no ar…

Imagem simbolizando as frutas que Dona Maria agora tem dificuldade de comprar
Imagem simbolizando as frutas que Dona Maria agora tem dificuldade de comprar.
  1. Mas o que é a inflação?

Colocando de forma simples e direta: A inflação é o aumento persistente e generalizado de preços em uma economia.

Ou seja, quando há inflação, isso geralmente significa que a mesma quantia de dinheiro que se tinha antes consegue comprar menos agora.

É sempre importante lembrar disso, pois a inflação influencia diretamente no dia-a-dia das pessoas, especialmente das que vivem com um salário fixo.

Afinal, a inflação não é um número mágico e arbitrário – ela é o preço do pão, da passagem de ônibus e da conta de luz, entre outras coisas.

2. O que faz a inflação aumentar ou diminuir?

Para entender o que faz a inflação ser maior ou menor, temos que entender como a inflação é calculada no Brasil.

O principal índice que mede a inflação no país é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE.

O IPCA é medido mensalmente, levando em consideração produtos essenciais no dia-a-dia das pessoas. São considerados os preços de 9 tipos diferentes de produtos:

  • Alimentação e bebidas;
  • Artigos de residência;
  • Comunicação;
  • Despesas pessoais;
  • Educação;
  • Habitação;
  • Saúde e cuidados pessoais;
  • Transportes;
  • Vestuário.

Isso significa que quando o preço dos alimentos no mercado (“Alimentos e bebidas”) aumenta, por exemplo, a inflação (medida pelo IPCA) também aumenta.

Logo, o temido índice de inflação representa o quanto estão aumentando os preços de itens essenciais. E é por essa razão que ele é tão temido.

Imagem de produtos de vestuário. Seus preços também influenciam no cálculo da inflação
Imagem de itens de vestuário. Seus preços também influenciam no cálculo da inflação.

3. Certo… Então, o que faz os preços desses produtos aumentarem?

Em geral, o aumento de preços é causado por fatores externos, que aumentam os preços de alguns produtos.

Se houver uma seca forte, por exemplo, os agricultores terão que aumentar os preços dos alimentos para cobrir os prejuízos causados por ela.

Logo, secas aumentam a inflação!

Essa mesma lógica funciona para muitas outras situações. Vamos imaginar alguns exemplos para entender melhor como isso pode acontecer aqui no Brasil:

  • Um país exportador de petróleo decide diminuir a produção, o que faz com que o preço do petróleo aumente em todo o mundo. Por causa disso, o preço dos combustíveis derivados do petróleo (gasolina, diesel, etc.) aumenta aqui no Brasil, elevando a inflação dos transportes.  
  • Uma praga destrói parte das plantações do algodão usado para fazer camisetas, o que o deixa mais caro. Logo, o preço das camisetas também aumenta para compensar os custos de comprar o algodão, elevando a inflação de vestuário.

É possível notar dois tipos diferentes de inflação nos exemplos acima: a inflação de custos – os preços aumentaram para compensar o custo de produzir o produto – e a inflação de demanda – o preço aumentou pois não havia produtos suficientes para todos que queriam comprar.

4. E qual o papel do governo nessa história toda?

Como você já deve ter percebido, a inflação representa o valor do dinheiro. Ou seja, quando a inflação está alta, significa que uma mesma quantidade de dinheiro consegue comprar menos do que antes.

Dessa forma, o dinheiro funciona de maneira parecida com os produtos que o usamos para comprar: se houver dinheiro demais, o “preço” (ou valor) do dinheiro cai.

Como os governos são responsáveis por imprimir o dinheiro em circulação, eles têm a responsabilidade de prevenir que haja dinheiro demais na economia e a inflação aumente.

É por essa razão que um governo não pode simplesmente imprimir mais dinheiro sempre quando faltar.

Mas não apenas pela impressão de dinheiro se aumenta a inflação: todo dinheiro que sai do governo para a sociedade pode aumentar os preços.

Gastos públicos exagerados ou muitos empréstimos, por exemplo, podem fazer com que haja “dinheiro demais” na economia e gerar inflação.

Além de serem responsáveis na condução da economia, os governos também podem controlar a inflação tomando medidas que tornem a produção mais barata.

Estradas de qualidade, impostos razoáveis e luz barata, por exemplo, diminuem os custos (de transporte, burocracia e energia, respectivamente) de produzir algo.

Tudo isso ajuda a combater a inflação de custos e pode ser alcançado por meio de políticas do governo.

E então? Agora você já sabe por que as cebolas de Dona Maria ficaram mais caras? Talvez tenha havido uma seca, e os preços subiram. Que outras possibilidades você imagina?

Entender uma coisa básica como o preço das coisas no mercado pode parecer simples, mas, na realidade, é bastante complexa e exige muita atenção e informação.

E é por isso que estamos aqui, para informar! Faça a sua parte e compartilhe esse post com seus amigos e familiares. Afinal, a informação sempre faz toda a diferença. 😉

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Rafael Paraiso
Estudante de ciência política e uma trívia ambulante, pois nenhum conhecimento é demasiado ou desnecessário! Apaixonado desde cedo pela política, quando ela não passava de algumas ilustrações bonitas em livros de história, transformei essa paixão em um diploma e agora me dedico a pensar cientificamente uma das partes da vida humana que mais suscita paixões. Se terei uma carreira na academia ou no dia-a-dia da política, ainda estou tentando descobrir. O que sei por agora é que a minha fascinação veio da incrível capacidade da política de gerar mudanças positivas na vida das pessoas, desde que conte com a participação de toda a sociedade. Entender como a política funciona é essencial para saber como isso é possível e fazer acontecer, e é aqui que o trabalho do Politiquê? (e, espero, a minha contribuição) fazem toda a diferença!

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