Acompanhar o noticiário econômico pode ser bem confuso.

Não só por causa dos vários números e indicadores, ou das explicações complexas e cheias de detalhes, mas também pelas várias instâncias do poder público que tomam as decisões.

Afinal, quem decide os rumos da economia?

A realidade é que vários atores têm uma responsabilidade diferente e tomam decisões que, em conjunto, formam o que chamamos de política econômica.

Cada governo possui uma política econômica diferente, que pode mudar, continuar ou complementar a política de outro governo.

Seja lá quais as medidas que forem adotadas, elas precisam partir de alguém, não é mesmo?

Pois é exatamente isso que você irá descobrir hoje: quem são os principais membros da equipe econômica e sobre quais partes da economia eles podem tomar decisões?

Vamos começar com o mais famoso de todos…

 

  1. A Presidência da República

Se a questão é saber quem toma as decisões dentro de uma equipe, o primeiro lugar para onde se olha é a sua liderança, não é mesmo?

Para a política econômica de um governo não é diferente: o líder desse governo é quem vai  decidir que rumo a economia deve tomar.

No caso do Brasil, o líder do governo é sempre o Presidente da República.

A Presidência é responsável por nomear quase todos os outros líderes de quem vamos falar daqui pra frente e, por isso, é a maior responsável pela política econômica como um todo.

Assim, de um jeito ou de outro, o Presidente é responsável por quase todas as decisões tomadas, mesmo que elas não tenham sido tomadas diretamente por ele/ela.

Outra das suas atribuições é negociar com os partidos aliados no Congresso Nacional, para aprovar leis e outras medidas que influenciam a economia.

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  1. Ministérios econômicos

Algumas das nomeações mais importantes feitas pelos Presidentes são para os cargos de Ministros de Estado.

Os Ministros fazem parte do chamado gabinete presidencial e são responsáveis pela atuação do governo nas suas respectivas áreas.

Os Ministérios que trabalham diretamente com a economia variam de um governo para o outro, dependendo da decisão do Presidente de extinguir ou criar Ministérios.

Contudo, alguns Ministérios estiveram quase sempre presentes na equipe econômica.

O mais importante de todos é, sem dúvida, o Ministério da Fazenda (MF), que é o principal responsável por decidir qual será a política econômica e como ela será posta em prática.

Uma boa política econômica é aquela que garante o crescimento da economia (política de estímulo) e a sua estabilidade (ou seja, a que evita problemas sérios).

Para isso, o MF atua sobre diversos campos da economia, como os relacionados às receitas e gastos públicos (política fiscal) e sobre o comércio interno e externo (política comercial).

Ele também tem voz sobre a política monetária, que está relacionada à moeda e envolve coisas como inflação, taxa de juros e taxa de câmbio.

Outros Ministérios também têm papel importante para a economia.

O Ministério do Planejamento, por exemplo, é responsável por formular um plano para o desenvolvimento do país e pela elaboração do orçamento federal.

O Ministério do Trabalho, por outro lado, atua em áreas voltadas à geração de emprego, questões salariais e leis trabalhistas, por exemplo.

Neste link você pode conferir quem são os Ministros atuais e quais Ministérios fazem parte do gabinete presidencial atual.

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  1. Banco Central

O Banco Central do Brasil (BC ou Bacen) é uma autarquia da administração pública indireta que também tem um papel muito importante para a política econômica brasileira.

Lembra da política monetária? Pois o principal responsável pela política monetária brasileira é o BC.

Por meio do Comitê de política monetária (Copom), o BC pode, entre outras coisas, alterar a taxa oficial de juros da economia brasileira, a Selic.

E por meio da taxa de juros, causar outros efeitos na economia, como mais consumo e menos inflação. Nós já falamos da importância da taxa de juros, lembra?

Além da política monetária, o BC também é responsável pela política cambial.

O câmbio é basicamente um “mercado”, em que várias moedas estrangeiras são trocadas. Da mesma forma que em um mercado tradicional, cada moeda tem o seu “valor“.

Esse “valor” é a taxa de câmbio, que representa o quanto de uma moeda (o Real brasileiro, por exemplo) é necessário para comprar outra moeda (o Dólar americano, por exemplo).

O truque é que as moedas, assim como um produto comum, têm o seu “preço” alterado de acordo com a oferta e a demanda.

Assim, se muitas pessoas querem “comprar” uma moeda, o seu preço sobe. Por outro lado, se houver muito dinheiro para poucos compradores, o seu preço cai.

O BC usa essa lógica, por exemplo, para controlar o câmbio Real-Dólar: quando o preço do Dólar sobe muito, o BC compra Dólares para abaixa-lo. E vice-versa.

O câmbio influencia vários aspectos da economia, como a balança comercial (a relação entre exportações e importações) e o turismo.

Por isso, o papel do BC na economia como um todo é de grande importância.

 

Enquanto as principais decisões sobre a política econômica são tomadas por esses atores, ainda existem muitos outros que podem influenciar a economia.

Nós mesmos, como empreendedores, trabalhadores, consumidores e eleitores, temos uma capacidade de transformar a economia de maneira que nem imaginamos.

Nas próximas eleições para Presidente, Governador ou Prefeito, preste atenção na proposta de política econômica dos seus candidatos.

O voto de um eleitor consciente e bem informado pode fazer toda a diferença! 😉

Texto originalmente escrito por Rafael Paraíso!

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Haína Coelho
O que eu mais gosto de fazer é aprender. Por isso, apesar de a minha área acadêmica ser Ciência Política, estou sempre buscando novos aprendizados ou maneiras de aprofundar os assuntos que sei (cursos online, minha paixão). Tenho uma infinidade de hobbies, mas isso não significa que eu seja boa neles. Meus pais são professores, então educação sempre esteve na minha vida. Eu também amo passar conhecimento para que outras pessoas aprendam. Quando conheci o Politiquê?, que lida com educação E política, eu quis logo entrar! Fui embaixadora da Ação nas escolas, e me convidaram para ser membro do projeto. Eu trabalho com as coisas organizadas e fico nervosa se não estiverem assim (mas não olhem minha mesa), e disso era o que a equipe estava precisando. Hoje, não só ensino como aprendo com o Politiquê?, e sigo querendo que mais e mais jovens venham por esse caminho! :)

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