Quando falamos da política, estamos falando de poder, principalmente o poder de tomar decisões, as quais poderão afetar toda a sociedade.

No final das contas, alguém terá de ser responsável por tomar essas decisões, mas quem?

O conjunto de regras e critérios que define quem será o detentor desse poder consiste nos chamados regimes políticos.

Existem, basicamente, dois tipos principais de regimes políticos – os democráticos e os autoritários – e, dentre eles, diversas classificações menores.

Todas essas categorias compreendem a diversidade de maneiras que sociedades ao redor do mundo utilizam para se governar.

Hoje, nós vamos descobrir o que define os principais tipos de regimes políticos!

 

  1. Regimes democráticos

 

Vamos começar com nossa velha conhecida, a democracia.

Basicamente, um regime é democrático quando toda a sociedade tem a possibilidade de participar das decisões.

No seu formato mais comum, essa participação se dá na forma de eleições livres e limpas.

Por outro lado, para ser democrático, o regime também deve prever limitações à atuação dos governantes, que não podem usar seu poder para reprimir críticas..

Nós já falamos, em outro post, sobre a trajetória da democracia moderna, até ela se tornar o que nós conhecemos hoje.

O que nós não falamos foi sobre os diferentes tipos de democracia, que se diferenciam pela maneira como se escolhem os principais tomadores de decisão.

 

 

  • Democracia representativa

 

A forma mais comum de regime democrático que encontramos hoje é a da democracia representativa – a qual é utilizada, inclusive, no Brasil.

A ideia básica é a da existência de representantes eleitos, escolhidos pela população para tomar as principais decisões da sociedade.

Os membros da sociedade que têm a possibilidade de escolher os representantes são chamados de eleitores.

Os eleitores, por sua vez, participam das eleições, dando o seu voto para o/a candidato/a que represente melhor as suas preferências.

Nesse formato de democracia, os cidadãos comuns não precisam se envolver diretamente nas principais questões da sociedade, que podem ser bem complexas e ocupar bastante tempo.

Por isso, a maior vantagem das democracias representativas é a possibilidade de haver uma classe política especializada, que se dedica em tempo integral a debater as principais questões.

 

 

  • Democracia direta

 

Ao invés de eleger representantes, também é possível que os cidadãos de uma determinada sociedade tomem as suas próprias decisões diretamente.

Essa forma de governo é chamada de democracia direta, ou deliberativa, e consiste nos próprios cidadãos participarem diretamente da política.

Na democracia direta, ao invés de deixar as decisões para representantes eleitos, todos os cidadãos participam do debate.

A maior vantagem da democracia direta é que as decisões refletem, de forma autêntica, as preferências e vontades da sociedade, o que nem sempre acontece em democracias representativas.

O exemplo mais conhecido de democracia direta foi o da cidade-Estado de Atenas, na Grécia Antiga, lembra?

Hoje em dia, a Suíça é o exemplo mais próximo de uma democracia direta, onde muitas decisões são tomadas por meio de plebiscitos e referendos à população.

 

2. Regimes autoritários

 

Por outro lado, também temos os regimes autoritários, os quais, infelizmente, ainda são bastante comuns ao redor do mundo.

Dizemos que um regime político é autoritário quando as principais decisões são tomadas apenas por uma pessoa ou grupo de pessoas, sem a participação maior da sociedade.

Em outras palavras, um regime autoritário concentra o poder em um ou poucos governantes.

Isso significa que a população em geral desfruta de poucos direitos e garantias, que são “atropelados” pelas vontades dos governantes.

Existem, basicamente, dois tipos de regime autoritário, que se diferenciam pelo nível de controle do regime sobre a população.

 

 

  • Regimes totalitários

 

Os regimes totalitários são as formas mais brutais de autoritarismo, nos quais o controle dos governantes sobre a sociedade é absoluto.

Em outras palavras, a interferência do Estado é completa, envolvendo não apenas a política, mas todos os aspectos da vida dos seus cidadãos.

Os governantes não apenas reprimem as liberdades individuais, como também forçam as suas próprias regras e ideias sobre a sociedade.

Também não é incomum a existência de cultos à personalidade, em que um governante é tratado e promovido como uma “figura divina”.

O exemplo mais conhecido da atualidade é o da Coreia do Norte, mas existem vários exemplos históricos, como a Alemanha nazista (1933-1945) e a antiga União Soviética (1917-1991).

 

 

  • Autocracias

 

As autocracias, ou regimes autocráticos, são as formas “menos graves” de regimes autoritários – ao menos, quando comparados com os totalitários.

Ainda que não tenham o nível de controle dos regimes totalitários, as autocracias ainda são caracterizadas pela repressão brutal da população.

Liberdades fundamentais, como a de opinião, expressão e oposição, são limitadas, quando não totalmente restringidas.

As autocracias podem tomar várias formas – monárquica, militar ou religiosa, por exemplo –, mas são sempre caracterizadas pela concentração de poder na mão de um ou mais autocrata(s), ou ditador(es).

Algumas até utilizam instituiçõesdemocráticas”, como eleições e parlamentos, mas que servem apenas para reforçar o poder do regime, sem dar voz à população.

Ainda que seja uma forma “branda” de autoritarismo, as autocracias ainda não chegam perto das garantias e da segurança dos regimes democráticos.

A experiência autoritária mais recente no Brasil, o período da ditadura militar (1964-1985), se enquadra como um dos possíveis exemplos de autocracia.

E você, o que achou dessa classificação? Acha que esquecemos alguma coisa?

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Afinal, a parte mais necessária de uma democracia – e a mais odiada de uma ditadura – é um cidadão bem-informado! Faça a sua parte! 😊

Texto originalmente escrito por Rafael Paraíso!

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Haína Coelho
O que eu mais gosto de fazer é aprender. Por isso, apesar de a minha área acadêmica ser Ciência Política, estou sempre buscando novos aprendizados ou maneiras de aprofundar os assuntos que sei (cursos online, minha paixão). Tenho uma infinidade de hobbies, mas isso não significa que eu seja boa neles. Meus pais são professores, então educação sempre esteve na minha vida. Eu também amo passar conhecimento para que outras pessoas aprendam. Quando conheci o Politiquê?, que lida com educação E política, eu quis logo entrar! Fui embaixadora da Ação nas escolas, e me convidaram para ser membro do projeto. Eu trabalho com as coisas organizadas e fico nervosa se não estiverem assim (mas não olhem minha mesa), e disso era o que a equipe estava precisando. Hoje, não só ensino como aprendo com o Politiquê?, e sigo querendo que mais e mais jovens venham por esse caminho! :)

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