Eu acredito que fui uma líder melhor quando era adolescente. Isso porque eu lembro de mais atitudes e exemplos que eu seguiria como líder hoje daquele período em que estive na escola, do que quando estive na graduação. Contraditório? A verdade é que “crescer” nem sempre significa continuar sendo quem fomos: os desafios de amadurecer são diários e precisamos lutar constantemente para nos tornamos aquilo que podemos ser.

No meu caso, eu sempre fui muito responsável. Na vida adulta, esse meu senso de responsabilidade aumentou com a quantidade de obrigações. E sabe aquele ditado: “Antes de melhorar, vai piorar”?  Até que eu entendesse em que eu precisava buscar mais equilíbrio nessa forma de enxergar a vida, eu sofri com isso. Inúmeras vezes passei o final de semana inteiro estudando (ou dizendo que ia estudar, porque na prática a gente tende a perder mais tempo dizendo que vai fazer, do que fazendo de fato – a procrastinação que muitos conhecem) sob protesto de amigos e familiares.

O dilema do “Tudo eu”

Para liderar melhor, eu tive que abrir mão da ideia de que o líder precisa fazer tudo sozinho. Eu não conheço um líder que não tenha sentado para conversar com esse pesadelo ao menos uma vez na vida: aquela sensação de que está tudo nas suas mãos. “Se eu não fizer, ninguém na equipe faz”. Pode parecer um pouco prepotente caso você nunca tenha liderado, mas para quem lidera, não é motivo de orgulho e sim de desespero. Parece que, caso você não vá lá e faça, nada anda.

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Imagem: castelo de areia

No início, pode até ser uma sensação agradável: você se sente importante e fundamental para o resultado chegar. E essa ilusão pode durar mais ou menos tempo, a depender das suas características pessoais. Porém, cedo ou tarde, você vai perceber que esse é um castelo de areia.

No meu caso, não foram poucas as vezes que eu fiz trabalhos da faculdade sozinha. Mesmo sabendo que teria que dedicar muito mais tempo, esforço, e que seria mais cansativo. “Se no fim eu vou ter que fazer tudo sozinha mesmo, porque eu não começo logo sozinha?” – era o que eu pensava. Cheguei aos limites desse sentimento durante a minha faculdade. Quando eu estava fazendo um trabalho sozinha, o foco era total no desenvolvimento do trabalho. Quando tinha uma equipe junto comigo, eu precisaria dedicar tempo na relação com essa equipe. E na minha impaciência e imaturidade, o mais importante era terminar o trabalho – e de preferência tirar nota boa.

Apesar disso, quando eu liderava, os resultados eram muito bons. E eu percebia que, qualquer que fosse o grupo, havia uma certa tendência a me indicarem como líder. Mesmo sem querer, muitas vezes eu aceitei. Observação aqui: com o tempo, eu aprendi que liderar demanda esforço e entrega, e ser líder de muitas equipes ao mesmo tempo não funciona comigo – mas pode funcionar com você.

Virando o tabuleiro e mudando as regras do jogo

Eu sabia que tinha algo errado. Felizmente, eu sempre me interessei em desafiar meus próprios limites para ser o melhor que eu posso ser. Também sou grata aos vários mestres que tive ao longo da vida, professores que muitas vezes disseram “Não” quando eu pedi pra fazer um trabalho sozinha. Eu não teria aprendido o poder transformador da equipe, se não fosse esse empurrãozinho 🙂

Com o tempo, eu comecei a dedicar mais esforço nessa construção do grupo: paciência, atenção, cuidado. Mesmo sabendo que seria necessário o dobro do tempo, eu comecei a sentir prazer em ajudar a equipe e cada membro.

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Imagem: equipe de mãos dadas

Comecei a perceber a minha facilidade de identificar as habilidades de cada um, a entender as minhas próprias habilidades e pontos de melhoria. Com isso, eu conseguia distribuir as atividades dentro da equipe e o resultado ia ficando melhor, à medida que eu exercitava a empatia pelas pessoas e conseguia extrair o melhor do grupo. Foi então que eu entendi um dos principais sentidos de liderar, que é desenvolver e extrair o melhor das pessoas, e combinar as habilidades do grupo para atingir resultados maiores do que a soma das partes – algo que hoje eu sou apaixonada por fazer.

E como eu consegui mudar tanto? Bem, esse tema fica pra outro dia :}

Por hoje, espero que eu tenha ajudado você a perceber que as características de um líder podem sim ser desenvolvidas e melhoradas com o tempo.

E se você gostou do texto, que tal compartilhar com algum amigo seu?

Até a próxima!

 

 

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Camilla Borges
Sou alagoana com muito orgulho, mas moro em Recife há 9 anos. Administradora pela UFPE e Internacionalista pela Estácio, aqui encontrei terreno fértil para crescer como profissional. Sempre fui meio sonhadora, por isso eu amava filmes da Disney e cresci lendo Harry Potter. Convivi com pessoas de diferentes histórias e classes sociais, isso despertou em mim a empatia de buscar entender o outro. Sobre o universo da política, aprendi com meus pais desde pequena e consolidei nas graduações. Na minha história, as pessoas me escolhiam como líder, o que muito me ensinou. Chegou uma hora em que o chamado de fazer a diferença falou muito alto. Foi uma questão de tempo para que o Politiquê? se apresentasse a mim como uma missão. Logo, ele se tornou um compromisso de transformação social que assumi com a sociedade e tenho levado adiante junto com outros sonhadores.

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