Como voluntário, você abre mão de parte do seu tempo para trabalhar de forma gratuita em algum projeto ou organização. Um dos principais motivos que mobiliza os voluntários é o compromisso com a transformação da realidade que os cerca. Ou seja, os voluntários costumam dedicar seu tempo a causas em que eles acreditam, como forma de contribuir para um mundo melhor.

Por outro lado, nem todos pensam dessa forma. Existem aqueles que acreditam que ser voluntário significa perder um tempo – valioso – que poderia ser investido em projetos/sonhos pessoais, ou mesmo em outras atividades. O mesmo acontece no setor privado, em empresas e organizações com fins lucrativos, onde a dedicação de recursos para projetos ou organizações sociais pode parecer algo muito distante e utópico, já que o principal objetivo da empresa é gerar lucro – essa tendência vem mudando, e falaremos sobre isso no segundo artigo desta série.

Por isso, responderemos a pergunta: Que motivos alguém (como pessoa ou organização) pode ter para ser voluntário ou apoiar projetos sociais, indo além do discurso idealista? Em outras palavras, quais as razões egoístas [1] de se tornar um voluntário e/ou apoiar projetos e organizações sem fins lucrativos?

Vamos começar falando de dois casos:

1 – Se você pretende estudar fora do Brasil, em algum momento da sua carreira (graduação e pós-graduação), voluntariado é fator de diferenciação no processo seletivo em muitos países – também para a obtenção de bolsas de estudo.

Foto: Instagram Harvard University @harvard
Foto: Instagram Harvard University @harvard

O processo seletivo para graduação e pós-graduação no exterior é bem diferente do Brasil. Lá fora, a obtenção de boas notas sozinha não é fator que vai garantir a sua aprovacão em uma Universidade. As atividades extra-curriculares [2] são muito valorizadas, dentre elas está o voluntariado. Quanto mais competitiva a Universidade em que você deseja estudar, mais diferença no seu currículo irá fazer a experiência de trabalho voluntário. Algumas universidades e cursos chegam até mesmo a pedir comprovação da sua experiência.

Além disso, no processo de aplicação há geralmente uma carta de motivação, onde você deve falar da sua experiência de vida pessoal e habilidades que tenha desenvolvido ao longo da sua vida, e a argumentação dessa carta é fator importante para a aprovação. Para saber mais, você pode ver aqui um exemplo do que a Harvard University procura em seus candidatos.

Você pode ler mais sobre sobre a importância do trabalho voluntário para a aplicação no blog Estudar fora.

2 – Se você é estudante e/ou está no inicio da sua carreira, qualquer que seja a sua área, você irá precisar desenvolver habilidades além daquelas que você já sabe.

Segundo o relatório The Future of Jobs (O Futuro dos Trabalhos), desenvolvido pelo Fórum Econômico Mundial, a Quarta Revolução Industrial [3] trará um enorme impacto no mercado de trabalho em todo o mundo. Segue trecho da introdução do relatório:

“Em muitas indústrias e países, a maioria das ocupações e especialidades que possuem demanda não existia há 10 ou mesmo 5 anos atrás, e o passo da mudança irá acelerar. Por uma estimativa popular, 65% das crianças que estão entrando no ensino primário hoje irá em última instância trabalhar em tipos de atividades que ainda não existem. Em um ambiente tão rápido de desenvolvimento do emprego, a habilidade de antecipar e se preparar para as habilidades requeridas no futuro, postos de trabalho and o efeito agregado no emprego é cada vez mais crítica para negócios, governos e indivíduos com o objetivo de aproveitar plenamente as oportunidades apresentadas por essas tendências – e para mitigar os resultados indesejáveis.”

(Tradução livre do trecho do relatório The Future of Jobs, desenvolvido pelo Fórum Econômico Mundial).

ATENÇÃO: a citação original está disponível no rodapé [4].

Um dos impactos dessa realidade é: as habilidades que podem ser desenvolvidas por computadores e por meio da inteligência artificial serão progressivamente menos necessárias (já que as máquinas irão substituir as pessoas nessas tarefas).

Você consegue imaginar como isso irá impactar na sua carreira? Sugerimos o exercício: Pense em quais tarefas você executa, e identifique quais delas poderiam ser executadas por um robô, 24 por dia, 7 dias por semana, sem interrupção, descanso ou férias? Essa realidade já está acontecendo – e irá crescer com muita rapidez nos próximos anos.

Seguindo então essa lógica, quais habilidades serão mais importantes para sua carreira? As habilidades essencialmente humanas – e que a Inteligência Artificial não consegue reproduzir com a mesma facilidade, como por exemplo aquelas que envolvem emoções e sentimentos.

O portal Futuro das Coisas publicou um resumo das top 10 habilidades em 2015 e em 2020, definidas no relatório do Fórum Econômico Mundial:

Fonte: O Futuro das Coisas (www.ofuturodascoisas.com).
Fonte: O Futuro das Coisas.

Repare que a maioria dessas habilidades demandam experiência prática para serem desenvolvidas – por exemplo, como você irá desenvolver empatia com os outros, se não se expuser a realidades diferentes da sua?

Em organizações e projetos sociais, você terá a oportunidade de se desenvolver em diversos itens dessa lista, dessa forma, realizar trabalhos voluntários será bastante agregador para sua carreira.

Gostou do tema? Que tal compartilhar nas redes sociais? 🙂

No próximo artigo, iremos continuar esse tema, falando nas razões egoístas de ser voluntário e/ou apoiar projetos sociais para profissionais (e candidatos ao) do setor privado, para os negócios de forma geral, e também para os empreendedores.

  • Até breve!

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[1] A denominação egoísta aqui se refere ao oposto de altruísta, e o objetivo deste texto é mostrar que em ambos os casos, há razões para se envolver em trabalhos sociais.
[2] Apesar de o artigo no link falar somente dos Estados Unidos, essa realidade também se aplica para muitos países europeus e oportunidades semelhantes por lá.
[3] A Quarta Revolução Industrial é caracterizada pelo uso da tecnologia e os impactos que o rápido desenvolvimento tecnológico podem trazer para a sociedade como um todo. Leia aqui um resumo da Forbes Brasil explicando O que é a Quarta Revolução Industrial.
[4] “In many industries and countries, the most in-demand occupations or specialties did not exist 10 or even five years ago, and the pace of change is set to accelerate. By one popular estimate, 65% of children entering primary school today will ultimately end up working in completely new job types that don’t yet exist. In such a rapidly evolving employment landscape, the ability to anticipate and prepare for future skills requirements, job content and the aggregate effect on employment is increasingly critical for businesses, governments and individuals in order to fully seize the opportunities presented by these trends—and to mitigate undesirable outcomes.”

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Camilla Borges
Sou alagoana com muito orgulho, mas moro em Recife há 9 anos. Administradora pela UFPE e Internacionalista pela Estácio, aqui encontrei terreno fértil para crescer como profissional. Sempre fui meio sonhadora, por isso eu amava filmes da Disney e cresci lendo Harry Potter. Convivi com pessoas de diferentes histórias e classes sociais, isso despertou em mim a empatia de buscar entender o outro. Sobre o universo da política, aprendi com meus pais desde pequena e consolidei nas graduações. Na minha história, as pessoas me escolhiam como líder, o que muito me ensinou. Chegou uma hora em que o chamado de fazer a diferença falou muito alto. Foi uma questão de tempo para que o Politiquê? se apresentasse a mim como uma missão. Logo, ele se tornou um compromisso de transformação social que assumi com a sociedade e tenho levado adiante junto com outros sonhadores.