Localizada no Oriente Médio, às margens do mar Mediterrâneo, a Síria é um lugar fascinante, com uma importância sem igual para a história da humanidade.

Por lá, passaram algumas das civilizações mais importantes da história da humanidade, como os Egípcios (séc. 15-13 a.C), os Persas (539-330 a.C) e os Romanos (115-453 d.C).

Hoje, porém, a situação não é nada boa. Uma guerra civil violenta causou a destruição de diversas cidades e a morte de centenas de milhares de pessoas.

Mapa da Síria
Mapa da Síria

O conflito, que não parece ter fim e se torna cada vez mais complexo, está tomando conta dos noticiários e chamando a atenção de várias lideranças internacionais.

Pela sua complexidade, reviravoltas e intrigas, pode ser um pouco difícil de entender o que está acontecendo exatamente por lá.

Não se preocupe, nós estamos aqui para ajudar. Você vai entender tudo o que você precisa saber sobre a guerra civil na Síria.

 

Como começou?

 

Primavera Árabe
Primavera Árabe

A história atual da Síria começou nos eventos que ficaram conhecidos como a Primavera Árabe, ou a Primavera de Democracia.

A Primavera Árabe, que começou na Tunísia, em 2010, foi uma série de protestos, pacíficos e violentos, que ocorreram em vários países árabes.

Na Síria, não foi diferente.

Desde o golpe militar de 1970, que colocou no poder Hafez Al-Assad (1930-2000), os sírios convivem com um regime autoritário e repressivo, que lhes oferece poucas liberdades.

Foi o seu filho, o ditador Bashar Al-Assad (1965-?), quem iniciou uma repressão brutal aos protestos pacíficos da Primavera Árabe na Síria, em 2011.

Como resposta, vários manifestantes formaram grupos armados para revidar e resistir aos ataques das forças leais ao Presidente.

Foi assim que um protesto pedindo por democracia e melhores condições de vida se tornou uma das guerras civis mais violentas das últimas décadas.

 

Quem está envolvido?

Exército Livre da Síria
Exército Livre da Síria

De início, já temos os dois lados principais do conflito: as forças do governo sírio, que querem se manter no poder, e o Exército Livre da Síria (ELS), formado pelos rebeldes.

Contudo, a partir de então, as coisas já começam a ficar bem mais complicadas.

De início, em 2012, vários grupos radicais islâmicos (conhecidos como “jihadistas”) se aliam ao ELS, para pôr um fim ao regime de Al-Assad.

Dentre os jihadistas, está uma “subsidiária” associada ao grupo terrorista Al-Qaeda, chamada de Jabhat Al-Nusra (ou apenas “Al-Nusra”).

No nordeste da Síria, a população curda, uma comunidade étnica que habita a região do Curdistão, aproveita a situação para declarar a sua independência da Síria, ainda em 2012.

Está conseguindo acompanhar? Até então, temos três lados envolvidos: o governo sírio, os rebeldes e seus aliados jihadistas e as forças curdas.

Mapa do Curdistão
Mapa do Curdistão

A partir desse cenário já bastante agitado, entram em cena os outros países da região.

Os primeiros a se envolverem de maneira significativa são o Irã – tradicional aliado do governo sírio – e a Arábia Saudita, que busca evitar uma vitória para os iranianos.

Por meio de suprimentos de dinheiro e armas, o conflito toma outras dimensões, transformando a guerra civil em uma disputa indireta entre os dois países adversários.

Diante da escalada do conflito, o governo iraniano convoca o Hezbollah, um grupo armado libanês, que invade a Síria para prestar auxílio às forças do governo.

Em 2013, diante das atrocidades cometidas pelo governo sírio, o governo dos Estados Unidos decide se envolver, se alinhando – nos bastidores – com os rebeldes e seus apoiadores.

Do outro lado, em 2015, o governo da Rússia, antigo aliado do governo sírio, inicia uma campanha de bombardeios aéreos contra os rebeldes.

A partir de então, com o envolvimento das duas potências militares, o conflito deixa de ser apenas regional e passa a ser de interesse geopolítico global.

Participantes da guerra síria. Fonte: Al Jazeera
Participantes da guerra síria. Fonte: Al Jazeera

Para complicar ainda mais a situação, surge, em 2014, o grupo jihadista Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EI).

O EI foi formado por membros da Al-Qaeda baseados no Iraque, país vizinho à Síria, que formaram a sua própria organização após algumas brigas internas.

O grupo aproveitou o caos nos dois países para ocupar um largo território (incluindo partes da Síria), o qual eles declararam como seu “Califado”.

Assim, o EI, que não está alinhado a nenhum dos outros participantes, forma o quarto lado do conflito.

Ufa! Bem complicado, não é mesmo?

 

Por que essa guerra civil é tão complicada?

Aleppo, cidade síria destruída pela guerra
Aleppo, cidade síria destruída pela guerra. Fonte: Al Jazeera

Como já deve ter ficado claro, o conflito na Síria não é nada simples.

Todos os lados possuem seus próprios interesses, buscando objetivos muitas vezes conflitantes.

A vizinha Turquia, por exemplo, que está supostamente ajudando os rebeldes, está mais preocupada em atacar os curdos, para evitar que os curdos da Turquia ganhem força.

O governo russo, por outro lado, está atacando diretamente os combatentes do ELS, apesar de dizer que seu alvo principal é o EI.

Mais recentemente, o ataque a mísseis a uma base aérea do governo sírio parece mostrar um envolvimento maior do governo norte-americano.

Ainda não está claro quem irá vencer, ou qual será o resultado de toda essa disputa. O que se sabe, com certeza, é que o custo humano do conflito já é altíssimo.

Milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, enquanto centenas de milhares de inocentes já perderam as vidas.

Se quiser ajudar, existem diversas organizações internacionais que estão prestando assistência às vítimas do conflito.

Você pode, por exemplo, conhecer o trabalho e fazer doações para os Médicos Sem Fronteiras, os Capacetes Brancos ou a Agência de Refugiados da ONU.

Entender o conflito é apenas uma parte do processo. E agora, como um cidadão bem informado do mundo, o que você irá fazer para ajudar?

Texto originalmente escrito por Rafael Paraíso!

COMPARTILHAR
Artigo anteriorPedágio pra que? Tudo sobre as concessões públicas no Brasil
Próximo artigoQuem está por trás da política econômica no Brasil?
Haína Coelho
O que eu mais gosto de fazer é aprender. Por isso, apesar de a minha área acadêmica ser Ciência Política, estou sempre buscando novos aprendizados ou maneiras de aprofundar os assuntos que sei (cursos online, minha paixão). Tenho uma infinidade de hobbies, mas isso não significa que eu seja boa neles. Meus pais são professores, então educação sempre esteve na minha vida. Eu também amo passar conhecimento para que outras pessoas aprendam. Quando conheci o Politiquê?, que lida com educação E política, eu quis logo entrar! Fui embaixadora da Ação nas escolas, e me convidaram para ser membro do projeto. Eu trabalho com as coisas organizadas e fico nervosa se não estiverem assim (mas não olhem minha mesa), e disso era o que a equipe estava precisando. Hoje, não só ensino como aprendo com o Politiquê?, e sigo querendo que mais e mais jovens venham por esse caminho! :)

DEIXE UMA RESPOSTA