Está se aproximando um dos maiores eventos da democracia mundial, a eleição presidencial norte-americana. Mas eleição é tudo igual? Sempre existem os candidatos, os partidos e os eleitores. Quem ganha mais voto vence, certo? Errado. Cada país tem seu próprio sistema de partidos e de eleições. O modelo brasileiro foi explicado aqui no site do Politiquê? e ele é bem diferente do que é utilizado lá nos Estados Unidos.

1 – Em primeiro lugar, o sistema americano é bipartidário.

Bipartidarismo 2

Isto quer dizer que eles contam com apenas dois partidos principais, os Democratas e os Republicanos.

Por serem muito grandes, eles abrangem vários tipos de propostas e tem pouco apego à ideologia, não ficando nem muito à direita, nem muito à esquerda.

Também contam com simpatizantes em todas as esferas da sociedade, não se especializando em um tipo específico de eleitor.

Os candidatos são definidos a partir de votações dentro dos partidos. Por esta razão, a campanha eleitoral começa cerca de um ano antes das eleições propriamente ditas.

São realizados vários eventos para mostrar os interessados a concorrer a presidência, até que cada partido defina apenas um candidato.

2 – Sistema eleitoral majoritário

Nos Estados Unidos, tudo o que é necessário para conseguir a vitória é um voto a mais que o segundo colocado, mesmo que isto signifique não agradar a maioria da população. No Brasil, o sistema majoritário é aplicado nas eleições para o Executivo (presidente, governadores e prefeitos), mas com a possibilidade de segundo turno, caso a maioria de votos (50%+1) não seja atingida por nenhum dos candidatos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o candidato “X” vence com 40% dos votos, mas o candidato “Y” teve 35% e o “Z” conseguiu 25% dos votos. Nesta situação, 60% dos eleitores não votaram no vencedor.

Como vimos, em um sistema bipartidário, só existem dois candidatos a presidente, então, quem tiver mais votos será o preferido da maioria, né? Não necessariamente, porque…

3- … Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório

Vote 3

O voto obrigatório é uma característica brasileira e de pouquíssimos outros casos ao redor do mundo. Austrália e Argentina, por exemplo.

O fato é que, como as pessoas não são obrigadas a votar, muitas não se interessam em ir até a urna e deixam a decisão ser tomada por outras pessoas.

Isto pode modificar os resultados e a escolha pode ser feita por um candidato que não agrade tanto a população em geral.

Por outro lado, as pessoas ficam livres para não votar, caso não queiram ou não possam.

Para eles, o voto não é considerado uma obrigação, em vez disso, ele é um privilégio.

4 – A votação é indireta

Votação indireta

Os americanos votam em seus candidatos, mas seus votos não seguem diretamente para eles e sim, para um colégio eleitoral.

Na verdade, alguns delegados previamente comprometidos com determinado candidato são escolhidos pela população em uma primeira eleição.

Cerca de um mês depois, estes delegados se reúnem para dar seus votos aos candidatos oficiais.

Este colégio eleitoral é composto por 538 eleitores, divididos em quantidades proporcionais entre as populações dos estados.

Por exemplo, a Califórnia tem direito a 55 delegados, pois tem uma população maior. O Texas tem 34 delegados e o Alasca, onde moram pouquíssimas pessoas, tem apenas 3 delegados.

No fim das contas, são necessários 270 votos para se eleger um presidente.

5 – A eleição de 2016 é apenas presidencial

Todos os outros cargos (senadores, deputados, governadores, conselhos municipais e juízes) são definidos em outra eleição, que acontece a cada dois anos, no meio do mandato presidencial.

Por isso, ela é conhecida como midterms, algo como “meio do período” em português.

A principal importância dessas eleições é definir quem será a maioria no congresso americano. Em primeiro lugar, porque esta maioria vai ter mais poder de criar e aprovar leis.

Além disso, a partir de seus resultados, os futuros candidatos podem ter uma noção de quais são os principais desejos da população, que podem ser usados na campanha eleitoral dois anos depois.

Por fim, se o partido do presidente fica sem a maioria, significa que talvez seu governo não esteja agradando a população. Também será mais difícil executar seus planos.

Regras eleitorais costumam ser um pouco complexas e as dos Estados Unidos são um bom exemplo disso. Além disso, é comum que aconteçam algumas mudanças. Aqui foram abordadas as principais características e as mais gerais.

E aí? Conseguiu entender o sistema americano? Encontrou muitas novidades? Bem diferente do Brasil, não é mesmo? O que você acha dessas diferenças? Deixe seu comentário e compartilhe para seus amigos também compreenderem melhor e acompanharem com mais facilidade as notícias desta disputa!

6 COMENTÁRIOS

  1. Um comentário. As eleições para o Senado tem uma dinâmica própria. A cada 6 anos, 2 senadores são eleitos. Além disso, os senadores não são eleitos ao mesmo tempo 1/3 do Senado é eleito defasado em 2 anos da maioria dos senadores

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