Um país tem uma das economias mais ricas e desenvolvidas do mundo, baseada, em grande parte, no setor de tecnologia de ponta.

O outro é um país extremamente pobre, cuja população sofre com a escassez de alimentos e um governo totalitário e brutal.

Podem parecer dois países completamente diferentes, mas são, na realidade, dois vizinhos, que já foram, inclusive, um único país.

Estamos falando, é claro, da Coreia do Sul e da Coreia do Norte, respectivamente.

Apesar de os dois países terem uma história e cultura comuns, eles são, hoje, inimigos em constante ameaça de conflito.

Mas como isso aconteceu? Por que a Coreia é uma região tão instável?

Hoje, você vai entender um pouquinho dessa história e por que a região chegou na situação em que está agora.

Assim, você vai poder acompanhar os noticiários de maneira bem mais informada e engajada. Vamos começar?

 

Respectivas bandeiras das duas Coreias sobre seus territórios
Respectivas bandeiras das duas Coreias sobre seus territórios

 

  1. A Guerra Fria (1947-1991) divide a Coreia

Primeiramente, as duas Coreias estão localizadas na chamada península coreana, que está localizada no nordeste da Ásia.

Hoje, a península está dividida entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, mas, durante boa parte da sua história, ela esteve unida por um único país: o Reino da Coreia.

O Reino da Coreia (918-1910) se manteve independente por quase mil anos, até a invasão e ocupação do exército japonês, em 1910.

 

Reinos coreanos no século V, Fonte: Korea Awards
Reinos coreanos no século V, Fonte: Korea Awards

 

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os japoneses sofreram uma grande derrota para os países aliados.

Após o fim do conflito, dois desses países, os Estados Unidos (EUA) e a União Soviética (URSS) dividiram a península coreana, em duas áreas de ocupação.

A divisão, que foi feita para melhor administrar o território, acabou se transformando em uma disputa de interesses entre os dois países.

A partir dessa disputa, surgiriam a República Popular Democrática da Coreia (ou Coreia do Norte), comunista e alinhada à URSS, e a República da Coreia (ou Coreia do Sul), capitalista e alinhada aos EUA.

Assim, a península coreana se tornou um dos palcos mais importantes da Guerra Fria (1947-1991), a disputa ideológica e geopolítica entre o bloco capitalista, liderado pelos EUA, e o bloco comunista, liderado pela URSS.

 

Exército americano destrói trens na cidade de Wonsan na Coreia do Norte, 1950.
Exército americano destrói trens na cidade de Wonsan na Coreia do Norte, 1950.

 

 

  1. A Guerra da Coreia (1950-1953) inicia o conflito que conhecemos hoje

Em 1950, apoiadas pela URSS, as forças armadas da Coreia do Norte atravessaram a fronteira e invadiram de surpresa o território da Coreia do Sul, com o objetivo de reunificar o país.

A invasão do Norte foi quase bem-sucedida, até que os EUA, no comando das forças da ONU, intervieram no conflito para defender o Sul.

Sentindo-se ameaçados pela presença dos norte-americanos, os chineses (também comunistas) decidiram intervir do lado do Norte.

Após três anos, o conflito esfriou, com cada lado se mantendo firme do seu lado da fronteira original entre os dois países.

Em 1953, os dois lados assinaram um armistício, que interrompeu, mas nunca encerrou definitivamente, o conflito armado.

 

Armistício entre Coreias
Armistício entre Coreias

 

 

  1. E como chegamos às ameaças de hoje?

Desde 1953, muita coisa mudou na península coreana.

Antes pobre e pouco desenvolvida, a Coreia do Sul se tornou um dos países mais ricos e prósperos do mundo.

Em 2015, foi a 11ª maior economia do mundo, com um PIB de US$ 1,4 trilhão (contra US$ 1,7 trilhão do PIB do Brasil, por exemplo).

Ao mesmo tempo, a Coreia do Norte se tornou um dos países mais pobres e miseráveis do planeta.

Sem apoio da URSS, que deixou de existir em 1991, o país perdeu a sua principal fonte de apoio externo, passando a enfrentar graves crises internas, como a frequente escassez de alimentos para a população.

Sem saída, os ditadores norte-coreanos passaram a usar a sua grande força militar para obter concessões dos outros países.

Para se defender de uma possível intervenção externa, desenvolveram um programa de armas nucleares, os quais utilizam para ameaçar os seus vizinhos e os Estados Unidos.

Com um regime político totalitário e fechado, o resto do mundo não sabe o que esperar do país e está preocupado com os possíveis rumos que o país dará às suas novas armas nucleares.

 

Arte do ditador norte-coreano, Kim Jong-Un
Arte do atual ditador norte-coreano, Kim Jong-Un

 

Os riscos são altos e as possibilidades, muito preocupantes.

As tensões constantes podem reacender a guerra adormecida com a Coreia do Sul, com um custo altíssimo em vidas humanas.

Há quem afirme, inclusive, que o próprio Estado norte-coreano, pobre e corrupto, pode entrar em colapso e deixar de existir a qualquer momento.

Um vácuo de poder no país é uma receita para o desastre, caso seu arsenal nuclear – que ficaria “abandonado” – caia em mãos erradas.

Mesmo com a grande influência da China sobre o país, poucos sabem o que esperar da pequena potência nuclear, que se sente ameaçada e sem saída.

Bem preocupante, não é mesmo?

É por essa razão que os olhos do mundo estão sempre voltados para a região. Agora, com armas nucleares, os riscos estão mais altos do que nunca.

E você, o que acha? Agora que você entende como tudo começou e o que está em jogo, com certeza poderá dar uma opinião melhor sobre o conflito, não é mesmo?

Deixe o seu comentário e acesse mais publicações do nosso blog, para entender tudo sobre a política nacional e internacional!

Não fique de fora, busque mais informações e participe do debate! 😊

Texto originalmente escrito por Rafael Paraíso!

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Haína Coelho
O que eu mais gosto de fazer é aprender. Por isso, apesar de a minha área acadêmica ser Ciência Política, estou sempre buscando novos aprendizados ou maneiras de aprofundar os assuntos que sei (cursos online, minha paixão). Tenho uma infinidade de hobbies, mas isso não significa que eu seja boa neles. Meus pais são professores, então educação sempre esteve na minha vida. Eu também amo passar conhecimento para que outras pessoas aprendam. Quando conheci o Politiquê?, que lida com educação E política, eu quis logo entrar! Fui embaixadora da Ação nas escolas, e me convidaram para ser membro do projeto. Eu trabalho com as coisas organizadas e fico nervosa se não estiverem assim (mas não olhem minha mesa), e disso era o que a equipe estava precisando. Hoje, não só ensino como aprendo com o Politiquê?, e sigo querendo que mais e mais jovens venham por esse caminho! :)

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