Olá, tudo bem? 😀

Como prometido, estou de volta à nossa série de entrevistas com os membros do Politiquê?!

Após entrevistar a querida Karla Lira,  segui com meu caderninho de perguntas pelos bastidores do projeto e trouxe hoje, para você, uma entrevista mais do que especial com o nosso garoto do futuro: Robertson Novelino.

Robertson politique

Antes de mais nada, prepare-se para embarcar em uma viagem ao futuro! Sério! Não estou de brincadeira. É que o Rob, como carinhosamente o chamamos,  além de ser estudante de Ciência da Computação (UFPE) e Gestor da área de Pesquisa e Desenvolvimento do Projeto Politiquê?, dá cursos de futurismo pelo TEAR e traduz e escreve textos para a página ‘O Futuro das Coisas’. Ou seja, ler essa entrevista será quase como entrar em uma máquina do tempo! 😉

Ah, não posso esquecer de mencionar que Rob também já foi coordenador de conteúdo do TEDx UFPE, organizador chefe do Startup Weekend EDU Recife, além de ser ex-empresário júnior membro do CITi e da FEJEPE.

 Sem mais delongas, conheça Rob, que “acredita que se você tem tudo sob controle é por que você não está correndo rápido o bastante”. 😉

Politiquê?: Quando você conheceu o Politiquê??  O que o motivou a ingressar no projeto?

Rob:  Eu conheci o projeto por meio de Camilla Borges, quando nos conhecemos no TEDxUFPE. O que me motivou a entrar foi quando o projeto deixou de ser apenas voltado para o conteúdo online e passou a investir na parte offline de criação de iniciativas para melhorar a educação política. Foi aí que surgiu uma oportunidade para eu contribuir. Um amigo meu (e meu mentor de longa data), Victor Maristane, falou num grupo nosso que o Politiquê? estava procurando gente com o perfil de computação/empreendedor e eu estava no intercâmbio pensando em quais iniciativas me engajar na volta para o Brasil. A oportunidade coube como uma luva e aqui estou.

Politiquê?: Sei que você está concluindo o curso de Ciência da Computação. Você acredita que a Ciência da Computação pode ser um instrumento para viabilizar a educação política dos cidadãos? De que forma?

Rob: Acredito piamente que a computação pode viabilizar uma educação melhor, quer seja relacionada à educação política ou à qualquer outra área. Tenho uma visão muito otimista nesse ponto e, especialmente na educação política, acredito que a computação pode contribuir diretamente de duas formas principais: informação e empoderamento.

Politiquê?: Você se interessa bastante por futurismo, mais precisamente pelo futuro da educação. Você poderia listar cinco prováveis características da educação do futuro?

Rob:  Acho que antes de tudo vale um adendo: estudando essa área (futurismo), a melhor explicação que eu vi sobre o tema foi como esse era muito mais um estudo racional do que ‘pode ser’ ao invés de uma tentativa de acertar como ‘vai ser’. Exatamente por isso a pergunta talvez fique um pouco diferente. Minha resposta não é para “Como vai ser o futuro?” e sim para “Qual futuro possível tu acha mais legal e trabalha para criar?”.

Não tenho pretensão NENHUMA de acertar como vai ser o futuro, mas aprendi e acredito numa célebre frase de William Gibson que diz: “o futuro já está aqui, ele só não está igualmente distribuído ainda.” Ou seja, tem muita novidade boa já rolando por aí em relação a educação(tanto em pesquisas acadêmicas de universidades como MIT e Harvard, como em empresas que já são financeiramente rentáveis  e algumas até escaláveis, só não são padrão de mercado ainda):

1) Inclusiva e plural:

Acredito que no futuro nos basearemos mais em exemplos como a School of One e a Escola do Porto e deixaremos essa ideia de um tamanho único de ensino para todos. Howard Gardner e muitos outros já falam sobre existir vários tipos de inteligências, mas ainda ensinamos focados apenas em uma. Experimentos como as duas escolas que falei mostram soluções escaláveis de um velho problema: alunos diferentes assimilam conteúdos diferentes de formas diferentes. Assim como a forma de assimilar conteúdo de um único aluno varia de conteúdo para conteúdo (alguns aprendem português melhor estudando em grupo mas matemática melhor estudando sozinho), se não levarmos isso em consideração ainda estaremos caindo no mesmo erro que Einstein falava de que “se julgarmos um peixe por sua habilidade para escalar árvores ele vai passar a vida inteira pensando que é estúpido.” Talvez a educação devesse ser mais focada em maximizar os resultados de cada um e fazer pessoas de diferentes meios de aprendizado conviverem bem e desempenharem bem atividades juntos.

2) Focada em aprendizado ao invés de Ensino:

A diferença é sutil, mas eu acredito num futuro possível que tenta responder algumas perguntas pertinentes. E se nós não precisássemos de um local para aprender? E se o sistema de educação fosse voltado para transformar qualquer oportunidade de aprendizado das nossas vidas em conhecimento adquirido? E se conhecimento parasse de ser validado por um papel e começasse a ser cada vez mais voltado para prova de aprendizado? E se empregos também fossem medidos por quanto você aprende neles? Muitas pesquisas universitárias já giram em torno desses pontos, inclusive estão muito bem sumarizadas no estudo Learning is Earning 2026 e a possibilidade de aprender em qualquer lugar é algo que eu gostaria de ver acontecendo.

3) Construtiva ao invés de expositiva:

Transmitir o conteúdo de forma expositiva não é algo errado e muito menos ineficiente. Mas quando visto como única forma de se passar um assunto pode ser um problema. Exatamente porque nem todo mundo aprende do mesmo jeito e com o excesso de informação que todos temos hoje aquela metáfora antiga de que a mente do aluno é uma folha em branco, que deve ser preenchida, fica meio anacrônica. Muitas vezes a mente do aluno já está preenchida com vários desenhos, os professores podem escrever em cima e embaralhar tudo ou podem se preocupar em aprimorar o desenho para fazer sentido qualquer conteúdo. Experimentos como a metodologia SOLE de Sugata Mitra, a ideia das técnicas de Art of Hosting ou a P2PU mostram que talvez faça mais sentido construir conhecimentos em conjunto e usar do que o grupo já sabe.

4) Baseada em dados:

Acredito que estudos como o Teachersknowbest da GatesFoundation ilustram a necessidade que já se sente de depender menos do feeling dos professores e mais de dados para a tomada de decisões educacionais. Quer seja como o instituto Alpha Lumen em São Paulo ou outras escolas que já estão recebendo inputs diretos dos alunos e ex-alunos ou com a generalização de Startups sendo criadas nos EUA para atender as necessidades do relatório da Gates Foundation, podemos presenciar um futuro em que informação sobre as aulas será abundante o bastante para que o sistema se melhore com muito mais velocidade do que vem fazendo.

5) Voltada para a criatividade e a solução de problemas

Murilo Gun, Tiago Mattos e Ken Robinson, talvez o maior expoente nessa área, com seu TED, o mais visto de todos os tempos,  já afirmaram que precisamos de escolas que foquem em criatividade. Várias escolas no Brasil já têm a matéria de empreendedorismo no ensino médio, algumas escolas no Vale do Silício já são focadas em criatividade e resolução de problemas e além de darem certo, geram muito dinheiro.

Politiquê?: E como você enxerga o Politiquê? nesse cenário de transição da educação?

Rob: Eu acredito que o Politiquê? pode gerar mudanças muito positivas. Especialmente pelo fato de já nascer com uma noção muito importante que é a de sempre se reinventar. Por estar sempre procurando projetos novos e diferentes ao invés de escolher um foco e manter-se longe da experimentação, o Politiquê? consegue experimentar muito mais coisas muito mais rápido. É verdade que ainda não temos braços o bastante para expandir todas as experimentações que fazemos, mas só de considerar o ambiente mutável em que vivemos e a realidade bastante diferente de lidar com educação política já temos um diferencial muito importante nessa transição.

Politiquê?: Você curte bastante a área de empreendedorismo, não é? Então, poderia dar algum conselho para quem quer investir em negócios sociais na área de educação?

Rob: Eu acho que o melhor conselho nessa área é um que já foi dado por Eric Ries no seu livro A Startup Enxuta: errar mais, mais rápido e melhor. Não existe sucesso da noite para o dia, existem várias tentativas, erros e aprendizados até que se chega ao sucesso. A ideia é perder o medo de errar e entender que errar faz parte do processo, assim como não se pode desperdiçar um erro, deve-se aprender o máximo possível com cada experimento. Na área de negócios sociais e educação isso talvez pareça mais difícil, mas se a ideia é maximizar impacto, mesmo errando você ainda gerará algo, refinando-se esse impacto gerado é que se consegue ir mais longe

Politiquê?: Agora, conta um pouquinho sobre o que você já fez no Politiquê? e sobre o que está fazendo atualmente.

Rob: Eu faço parte da área de P&D, pesquisa e desenvolvimento. Nosso trabalho é pensar em novas formas para o Politiquê? desenvolver educação política e empreendedorismo cidadão para seu público alvo (jovens). Já trabalhei criando ferramentas internas para ajudar a área de P&D a funcionar melhor, assim como um modelo de projeto para que outras áreas do Politiquê? consigam dialogar sobre novos projetos de forma mais uniforme. Também colaborei um pouco na criação do Desenvolva! e dei treinamentos para voluntários da Ação nas Escolas. Atualmente eu estou encerrando um projeto e trabalhando em outro. O primeiro é um curso que vamos dar sobre uma interseção interessante que exploramos entre política e empreendedorismo e o outro é uma surpresa, para gerar auto-crítica sobre os conhecimentos de política das pessoas.

Robertson em uma das ações no Politiquê?
Robertson em uma das ações no Politiquê?

Politiquê?:  Teve algum momento que mais marcou você na sua trajetória no Politiquê??

Rob: Teve um bem bacana que me lembro, de uma reunião logo no começo. Foi lá em abril ou maio do ano passado quando tinha entrado a poucos meses no Politiquê? e começei a estudar futurismo. O assunto que me facinou logo de cara e que foquei meus estudos foram futuro das organizações e abundância (ainda dou curso disso pelo TEAR). Nisso, vi muitas coisas que poderiam ser usadas em várias organizações e que para mim faziam total sentido, mas que muitas pessoas de empresas inovadoras e até startups me olhavam com incredulidade quando ouviam. Até que nessa reunião do Politiquê? os diretores falaram de como viam a organização e sua identidade daqui pra frente e isso batia com muitas coisas que eu estava estudando e tentando espalhar por aí. Foi um momento que me animou bastante por que ouvir suas próprias palavras pela boca dos outros dá uma sensação de pertencimento muito legal.

Politiquê?:  Você poderia listar cinco coisas que você aprendeu trabalhando no Politiquê?

Rob:

1) A importância de se manter acima de dualidades numa discussão e discutir o que interessa

2) Que abrir a mente das pessoas e fazer elas enxergarem as coisas de forma mais ampla é uma das coisas que me deixa mais feliz

3) Otimizar o tempo cortando algumas atividades que não são realmente necessárias é uma das melhores formas de ser produtivo

4) Rotatividade pode ser uma grande vantagem para projetos

5) Manter sempre a balança equilibrada lidando com opostos: Por mais que seja projeto social: mentalidade de empresa. Por mais que o foco seja em resultados, o social é o fim, não o meio.

Politiquê?:  Como você descreveria o clima organizacional?

Rob:  Bem descontraído, considero que trabalho entre amigos,  e inovador, ideias loucas são bem vindas.

Politiquê?:  Como você imagina o Politiquê? daqui a 5 anos?

Rob: Desenvolvendo projetos em todo o Brasil. Não por meio de filiais mas por meio de cópias independentes com o mesmo ideal: educação política suprapartidária e empreendedorismo cidadão.

Politiquê?: Qual dica você daria para quem deseja fazer parte do Politiquê?

Rob: Se você acha que conhecimento não resolve nada se estiver polarizado ou se o entendimento de política não chega em todos que deveriam chegar e você quer fazer algo para atacar esse problema, aqui é o lugar. Se você tem ideias diferentes e é acostumado a olhar as coisas por ângulos incomuns e quer voltar esse olhar diferente sobre a política, aqui também é o lugar. Se vontade de mudar algo não te falta, aí aqui é REALMENTE o lugar. Só chegar que pra gente motivada aqui não falta espaço!

Rob, querido! Aprendi bastante com essa entrevista! Muito obrigada por compartilhar todo esse conhecimento com a galera do Politiquê? e com nossos leitores! É um prazer trabalhar e aprender todos os dias com você. 😀

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Projeto Politiquê?
Somos um projeto social formado por voluntários que acreditam na educação política e na cidadania como ferramentas de transformação social. Nossa proposta é fornecer aprendizado sobre o aspecto institucional básico e sobre o funcionamento da política, e também promover valores cidadãos por meio do empreendedorismo cidadão. Nosso trabalho é voluntário e desvinculado de partidos ou de correntes ideológicas. Temos como compromisso o suprapartidarismo e a imparcialidade. Queremos oferecer uma linguagem dinâmica, acessível e de qualidade sobre os temas de política, cidadania e empreendedorismo cidadão.

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