Você sabia que, quando alguém sofre um acidente grave, essa pessoa é imediatamente levada para um hospital público de referência?

E que isso é verdade mesmo para as vítimas que têm condições de ir para um hospital particular?

Essa é a importância da rede pública de saúde, um dos serviços públicos mais utilizados do país e que é uma prioridade para muitos brasileiros.

Mas você sabe como o sistema é financiado e gerido? Você sabe o que é o Sistema Único de Saúde (SUS)? Certamente já deve ter ouvido falar, não é mesmo?

Se você respondeu “não” para alguma dessas perguntas, continue lendo. Hoje vamos aprender tudo sobre o sistema de saúde público no Brasil!

 

  1. O que é exatamente o Sistema Único de Saúde (SUS)?

 

Criar e manter uma rede de saúde pública não é tarefa fácil em lugar algum.

É preciso manter uma vasta estrutura de pontos de atendimento, postos de saúde, clínicas e hospitais, com profissionais especializados e equipamentos capazes de dar conta do recado.

Um desafio desse tamanho não exige apenas muito dinheiro, mas também uma baita de uma organização.

E para atender a população de um país tão grande quanto o Brasil, ainda é preciso de muitos olhos e muitas mãos para que essa rede esteja funcionando em vários lugares ao mesmo tempo.

Foi no intuito de melhor organizar e gerir a rede pública de saúde que se estabeleceu, na Constituição Federal de 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS).

O SUS compreende todos os serviços de saúde pública do país, dos postos de saúde até os hospitais.

Ele reúne os gestores dos três níveis da federação: União, estados e municípios, incentivando a cooperação entre eles.

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2. Quem é responsável pelo que no SUS?

 

Com tantos níveis diferentes trabalhando juntos no sistema, a pergunta que fica é: quem faz o que na saúde pública brasileira?

A União (comandada pelo governo federal) atua por meio do Ministério da Saúde e tem duas atribuições principais: criar políticas nacionais de saúde e financiar boa parte do SUS.

As políticas nacionais de saúde são programas voltados para todo o país, geralmente formulados para resolver problemas específicos, que atingem várias localidades.

O financiamento do SUS, por outro lado, não é uma responsabilidade exclusiva da União, mas ela é responsável por quase metade do total de recursos destinados à saúde.

Os estados, por sua vez, têm um papel similar àquele da União: eles criam políticas estaduais de saúde e também contribuem com financiamento.

Os governos estaduais também devem executar programas nacionais e são responsáveis pela coordenação, organização e planejamento do SUS no seu território.

E, por fim, os municípios são o nível mais importante para a saúde pública: atualmente, os municípios são considerados os principais responsáveis pela saúde da sua população.

As gestões municipais são responsáveis por todas as ações e atendimentos dentro do seu território, inclusive pelas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

São elas que executam as políticas dos estados e da União, além de aplicar todo o financiamento repassado por eles.

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Fonte: Senado Federal

 

 

3. Como funciona o SUS?

 

É possível descrever o funcionamento do SUS com três palavras básicas: descentralizado, referenciado e hierarquizado.

Como já deve ter dado para perceber pelo que falamos antes, descentralizado significa que a administração e planejamento do SUS deve ser feito pensando no nível local.

Por isso o papel central dos municípios. Porém, os municípios não precisam ter todos os serviços em um único lugar.

Este é o conceito de hierarquização: quanto mais complexo é um serviço de saúde, menos localizado e mais abrangente é o seu atendimento.

Assim, o atendimento básico de saúde deve ser administrado em unidades de saúde, que devem estar presentes por vários bairros e comunidades.

Um atendimento mais completo pode ser oferecido para todo o município, enquanto os serviços mais complexos e especializados são disponibilizados para vários municípios, sendo organizados em polos e regiões.

Por fim, lembra de quando falamos do atendimento de urgência em hospitais de referência? Essa é a última característica do SUS: referencialização.

Com a hierarquização, é preciso criar centros de referência em diversas especialidades.

Com isso, o atendimento da população pode se tornar mais fácil e abrangente, com diversos tipos diferentes de tratamento mais acessíveis e disponíveis.

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Ainda assim, os postos de saúde continuam sendo os principais centros de atendimento básico.

Caso você precise de atendimento mais especializado, o ideal é que se direcione a um posto de saúde e busque uma consulta com um clínico geral.

O sistema de referencialização significa que você será direcionado para as unidades de saúde que pode diagnosticar e/ou tratar o que você está sentindo.

Em geral, apesar dos problemas que um sistema dessa magnitude pode ter, como falta de leitos e falhas no atendimento, o SUS ainda é um serviço essencial para milhões de pessoas.

Com tamanha importância e um orçamento bilionário sendo disponibilizado todos os anos, poucas vezes a fiscalização dos cidadãos-usuários foi mais importante.

Para conhecer mais sobre o SUS, inclusive sobre o que você aprendeu aqui, o Ministério da Saúde disponibilizou uma cartilha informativa, com mais detalhes.

Inclusive, em toda a página dedicada ao SUS, existem várias informações úteis que podem ser exploradas. Dê uma olhada e continue se informando!

Afinal, o melhor tipo de cidadão é um cidadão bem informado, não é mesmo? Faça a sua parte! 😊

Texto originalmente escrito por Rafael Paraíso!

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Haína Coelho
O que eu mais gosto de fazer é aprender. Por isso, apesar de a minha área acadêmica ser Ciência Política, estou sempre buscando novos aprendizados ou maneiras de aprofundar os assuntos que sei (cursos online, minha paixão). Tenho uma infinidade de hobbies, mas isso não significa que eu seja boa neles. Meus pais são professores, então educação sempre esteve na minha vida. Eu também amo passar conhecimento para que outras pessoas aprendam. Quando conheci o Politiquê?, que lida com educação E política, eu quis logo entrar! Fui embaixadora da Ação nas escolas, e me convidaram para ser membro do projeto. Eu trabalho com as coisas organizadas e fico nervosa se não estiverem assim (mas não olhem minha mesa), e disso era o que a equipe estava precisando. Hoje, não só ensino como aprendo com o Politiquê?, e sigo querendo que mais e mais jovens venham por esse caminho! :)

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