Quem já usou um cartão de crédito, pegou um empréstimo ou simplesmente tem uma conta no banco já deve ter se deparado com os temidos juros.

Os juros são uma cobrança extra que deve ser paga quando se pega algum dinheiro emprestado (o que é chamado de crédito).

Não é difícil imaginar como essas cobranças podem estragar o dia de alguém. Mas você sabia que as taxas de juros também são bem importantes para a economia e para a política?

Não? Pois então você não conhece uma das coisas que mais movem o mundo. Mas não se preocupe, nós estamos aqui para explicar tudo o que você precisa saber.

Como funcionam os juros?

A lógica dos juros é bem simples: você pega uma quantia de dinheiro emprestado, seja por meio de um empréstimo ou por um cartão de crédito, por exemplo.

Depois, você devolve a quantia que você pegou emprestado, mais uma taxa extra. Essa taxa extra é exatamente a taxa de juros.

Os juros variam muito pela economia, dependendo de quem empresta e para quem empresta.

Um banco que tem muito dinheiro – e, consequentemente, pode emprestar mais – pode cobrar juros mais baixos do que um banco com pouco dinheiro.

Da mesma forma, uma pessoa que sempre paga suas dívidas pode conseguir empréstimos com juros mais baixos do que uma pessoa que já deu um “calote”.

Essa ideia bem básica de como os juros funcionam é importante pois é válida para todo mundo na economia – inclusive o Estado (vamos falar mais sobre isso depois!).

No Brasil, o Banco Central, que é autônomo e faz parte da administração indireta, é responsável por definir a taxa básica de juros do nosso país.

Essa taxa é chamada de taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação de Caixa) e ela serve de referência para várias operações bancárias.

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Qual a importância da taxa SELIC?

A taxa SELIC é utilizada de várias formas diferentes. Uma das formas que mais afeta o nosso dia-a-dia é a sua influência sobre as taxas bancárias.

Tudo começa quando os bancos começam a pegar dinheiro emprestado uns com os outros.

Acontece que, como todo empréstimo, as dívidas dos bancos também cobram juros e a taxa desses juros é justamente a SELIC.

Para compensar os gastos com esses juros (além dos outros gastos do dia-a-dia), os bancos cobram taxas de juros maiores que a SELIC para seus empréstimos, cheques especiais, cartões e outras operações de crédito.

Assim, quanto maior a SELIC, maior a taxa que os bancos e outros credores (ou seja, quem empresta dinheiro) irão cobrar aos seus consumidores.

E é aí que está o efeito que nós todos sentimos: com os juros mais caros, os consumidores ficam com medo de gastar mais e o consumo acaba caindo.

Se você já parcelou algum produto em um cartão de crédito, já deve entender o porquê.

Por outro lado, a taxa SELIC também é usada como referência para várias poupanças, o que faz com que as pessoas guardem mais dinheiro quando a taxa está mais alta.

Toda essa sequência “bola de neve” na economia gera um segundo efeito importante da taxa de juros: quando a SELIC aumenta, a  inflação cai!

Menos consumo e mais poupança significa menos dinheiro circulando na economia, o que abaixa o preço dos produtos e resulta em menos inflação.

Por isso é bem comum ver o Banco Central aumentar a taxa SELIC quando há um aumento na inflação.

Mas nem tudo são flores quando os juros estão altos…

Da mesma forma que fazem os consumidores, as empresas também pegam dinheiro emprestado com os bancos para fazerem os seus investimentos.

Os investimentos são importantes, pois crescem a economia, criam mais empregos e geram mais receita para os cofres públicos.

Assim, se os juros estão muito altos, fica mais caro para as empresas investir. Com menos investimentos, a economia como um todo cresce menos.

Complicado, não é mesmo?

Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em Brasília (DF). Foto: Elsa Fiúza/ABr
Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em Brasília (DF). Foto: Elsa Fiúza/ABr

O que os juros têm a ver com as finanças públicas?

Lembra mais cedo, quando falamos sobre os juros mais altos para quem dá o “calote”?

O valor cobrado em juros de um empréstimo também é uma garantia para quem empresta. Ou seja, se quem empresta acha que existe um risco de “calote”, juros maiores são cobrados.

Agora imagine essa situação para o Estado. A União tem uma dívida pública na casa das dezenas de bilhões de reais.

É uma baita de uma dívida, não é mesmo?

Se os credores acreditam que o governo federal não poderá cumprir as suas obrigações (ou seja, pagar de volta a dívida, com juros), os juros de novos empréstimos ficam maiores.

Isso pode acontecer quando o orçamento público tem um déficit – ou seja, quando as despesas são maiores que as receitas.

Afinal, se o governo não pode sequer pagar suas despesas, como poderá pagar de volta o que deve? E lá se vão os juros, que aumentam bastante para novos empréstimos.

Mas o governo precisa pegar novos empréstimos para cobrir o déficit!

Você já viu onde isso vai dar, não é mesmo? Mais déficit pede mais dívidas, mais dívidas cobram mais juros e os juros maiores aumentam o déficit.

Isso é chamado de “espiral de dívida“, pois é uma situação bem difícil de sair. Por isso é tão importante que os governos sejam fiscalmente responsáveis e evitem que isso aconteça.

E agora? Você entendeu bem por que os juros são tão relevantes? Eles influenciam várias áreas das nossas vidas, de várias formas diferentes, e faz bem ficar de olho neles.

Você pode conferir o valor atual (e todos os valores anteriores) da taxa SELIC neste link.

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Rafael Paraiso
Estudante de ciência política e uma trívia ambulante, pois nenhum conhecimento é demasiado ou desnecessário! Apaixonado desde cedo pela política, quando ela não passava de algumas ilustrações bonitas em livros de história, transformei essa paixão em um diploma e agora me dedico a pensar cientificamente uma das partes da vida humana que mais suscita paixões. Se terei uma carreira na academia ou no dia-a-dia da política, ainda estou tentando descobrir. O que sei por agora é que a minha fascinação veio da incrível capacidade da política de gerar mudanças positivas na vida das pessoas, desde que conte com a participação de toda a sociedade. Entender como a política funciona é essencial para saber como isso é possível e fazer acontecer, e é aqui que o trabalho do Politiquê? (e, espero, a minha contribuição) fazem toda a diferença!

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