“ – Aula. O que vem à sua cabeça quando falo essa palavra?

– Professor.

– Só professor, homem?! O que mais?

– Quadro-negro. Sensação de bem-estar.

– Hum… Não esperava por essa “sensação de bem-estar”! Hahaha

– Oxe! Você me pergunta e não quer minha resposta?! Quem já viu…

­– Desculpa! Mas você sempre gostou muito de estudar… Espera… E como estão os alunos ao seu redor? Participativos?

– Não. Entediados, querendo que a aula acabe logo.

– Olha aí a resposta que eu pensei que ouviria no começo da conversa! Hahaha. E nessa aula quem fala mais? Alunos ou professor?

– O professor.

– E como seria uma aula perfeita para você? Com atividades, brincadeiras?

– Hum… Uma aula em que o professor passasse um caso prático para os alunos resolverem. Não gosto das aulas diferentes onde todo mundo é obrigado a falar”.

Figura de uma sala de aula. Fonte: http://www.naomesmo.com.br/toda-sala-de-aula-e-assim/
Figura de uma sala de aula. Fonte: http://www.naomesmo.com.br/toda-sala-de-aula-e-assim/

Esse é um trecho de um diálogo que realmente aconteceu, porém de forma totalmente diferente da que esperava. Quis validar a ideia de que as aulas tradicionais, onde somente o professor passa conhecimentos e com bancas em fileiras voltadas para o quadro-negro, não eram bem vistas pelos estudantes. No entanto, fui pega de surpresa.

Apesar do “aluno” desse diálogo ter dado uma resposta diferente da que imaginava, ele trouxe três informações interessantes:

  1. Embora ele gostasse da aula, os demais colegas de classe só queriam que ela acabasse;
  2. Para ele, uma aula boa envolveria casos práticos para os estudantes solucionarem;
  3. Ele não gostava de ser obrigado a falar.

Não escutei o “clichê” que acreditei que iria ouvir, contudo, percebi que ele fazia parte do imaginário do meu interlocutor: alunos desestimulados e pouco participativos.  Passei então a refletir sobre o porquê da maioria dos jovens não gostarem do método tradicional de ensino e me lembrei da primeira vez que ouvi falar da “Ação nas Escolas Politiquê?” em 2014.

Com toda essa nossa conversa sobre aula tradicional e alunos pouco participativos, você deve estar se perguntando: “Mas o que é o Projeto Politiquê? tem a ver com isso?”. Bom, posso te assegurar que muito, hein? Deixa eu te contar como tudo começou.

Como eu já antecipei, em 2014 conheci o Projeto Politiquê?, mais ou menos no meio do ano para ser mais precisa. Uma amiga me apresentou e disse que estavam abrindo vagas para voluntários que quisessem participar de uma Ação com alunos do ensino médio de escolas públicas de Recife. A proposta do Politiquê? era despertar o interesse dos jovens por política, provar que não era um assunto chato.

A primeira coisa que me veio à mente foi: “que massa! Preciso participar!”. Porém, logo em seguida pensei: “mas como é que eles vão dar uma aula sobre po-lí-ti-ca e fazer com que os alunos se interessem?”. Decidi que precisava ver isso de perto. Só posso adiantar uma coisa: é impossível viver a “experiência Politiquê?” e voltar a pensar dentro da caixa.

Imagem: Equipe Politiquê? em Ação nas Escolas
Imagem: Equipe Politiquê? em Ação nas Escolas

Bem, como eu já estava decidida a ver de perto essa “mágica”, inscrevi-me no processo seletivo e, para minha surpresa e total alegria: fui chamada! – Só de me lembrar desse dia meu coração se aquece.

Sim, mas voltando ao assunto: recebi um e-mail do RH do Politiquê? informando que eu havia sido selecionada para participar da “Ação Politiquê? nas Escolas Ano I” como embaixadora e que precisaria participar de um workshop de treinamento.

Lembro-me como se fosse hoje. Do lugar, das pessoas e do tanto que aprendi. Nesses dias de workshop conheci jovens incríveis e que tinham um desejo grande de serem agentes transformadores da nossa realidade. E foram também nesses encontros que vi de perto que dá para ensinar e aprender ao mesmo tempo; que uma “aula” dinâmica, com todos os alunos participando ativamente traz uma “sensação de bem-estar generalizada”. Em outras palavras, é possível, sim, uma aula sobre política, repleta de casos práticos, com os alunos falando mais que os “professores” (no nosso caso, embaixadores) e ao final ficar um “gostinho de quero mais”.

Ficou querendo saber como essa mágica acontece, né?

Vem comigo, que no próximo post eu conto para você! ;D

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Projeto Politiquê?
Somos um projeto social formado por voluntários que acreditam na educação política e na cidadania como ferramentas de transformação social. Nossa proposta é fornecer aprendizado sobre o aspecto institucional básico e sobre o funcionamento da política, e também promover valores cidadãos por meio do empreendedorismo cidadão. Nosso trabalho é voluntário e desvinculado de partidos ou de correntes ideológicas. Temos como compromisso o suprapartidarismo e a imparcialidade. Queremos oferecer uma linguagem dinâmica, acessível e de qualidade sobre os temas de política, cidadania e empreendedorismo cidadão.

6 COMENTÁRIOS

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