Era mais uma daquelas manhãs ensolaradas de sábado recifense e lá estávamos nós em nosso “escritório oficial” – a praça de alimentação de um shopping local – para planejarmos a próxima aula da “Ação Desenvolva!”. Democraticamente escolhemos esse lugar, por ser o mais central para todos nós. O horário, idem.

Lembro hoje, com muito carinho, de que alguns aproveitaram a oportunidade para fazer seu desjejum. Outros, ficaram com seus caderninhos e canetas à mão para anotar as ideias, muitas vezes bem malucas, de nossos costumeiros brainstormings [1].

Entre uma opinião e outra, surgiu a seguinte pergunta: “De que forma podemos demonstrar para nossos alunos a importância de todos nós nos envolvermos nos problemas sociais, buscando soluções?”. Ficamos por um tempo pensativos, até que um de nós, não me recordo ao certo quem, rompeu nosso silêncio e trouxe a ideia da dinâmica da “teia”.

A dinâmica da teia, ilustrada no início desse post, consiste em uma brincadeira envolvendo um rolo de barbante e pessoas organizadas em um círculo. A ideia é que cada participante pegue o rolo de barbante, fale um problema social que o incomoda e, logo em seguida, segurando um pedaço do fio, jogue o resto do rolo para outro colega, que deverá fazer o mesmo, até que todos tenham a oportunidade de participar.

Quando a “teia” de problemas sociais está montada, o último participante a pegar o barbante deve falar em voz alta uma possível forma de resolver o problema social citado pelo colega que lhe arremessou o rolo, ao mesmo tempo que lança de volta o objeto para o mesmo. A brincadeira segue até que a teia seja totalmente desfeita e todas as problemáticas apontadas recebam alguma “solução”.

Confesso que ficamos meio enrolados na hora de desfazer a teia, o que rendeu algumas boas gargalhadas nas salas em que aplicamos a dinâmica, mas a mensagem que queríamos passar não poderia ter sido transmitida de forma melhor.

Se pararmos para traçar um paralelo entre essa imagem da teia de barbante e os problemas que nossa sociedade enfrenta é possível chegar às seguintes conclusões:

  1. Todos nós estamos “presos” nessa teia de problemas sociais.
  2. Os problemas estão interconectados.
  3. As soluções estão interconectadas.
  4. A participação ativa de todos os cidadãos é fundamental para que a teia se desfaça.

Não sei você, mas só de imaginar isso me sinto uma formiguinha presa numa gigantesca teia de aranha.

Tomando o Brasil como exemplo, temos problemas sociais envolvendo a educação, o saneamento básico, a segurança pública, o racismo, a violência contra a mulher, a intolerância no trânsito, a corrupção, dentro tantos outros. Se você analisar bem, pode perceber o quanto todos esses temas mencionados encontram um ou mais pontos de conexão, além de afetar direta ou indiretamente a todos nós, cidadãos brasileiros.

É uma “teia” muito extensa e assustadora, para falar a verdade. Só que a boa notícia é: não estamos sós! Se todos nós nos dispusermos a fazer algo na tentativa de solucionar algum ou mais de um desses problemas, por mais simples que seja, podemos melhorar, e muito, a situação. E, quem sabe, não podemos até desfazer por inteiro essa trama de fios um dia?

O Politiquê? acredita muito no chamado “empreendedorismo cidadão”, ou seja, quando o cidadão se empodera de seus direitos e deveres e assume seu papel de protagonista social, passando, assim, a agir ativamente onde quer que esteja (escola, universidade, trabalho, bairro, etc), fazendo algo para transformar a sociedade ao seu redor.

E foi justamente por essa razão que surgiu a ideia da “Ação Desenvolva” entre os membros do Politiquê?, uma iniciativa do projeto para incentivar jovens alunos do ensino médio da rede pública de ensino do Recife a se engajarem socialmente.

Foto: Equipe Politiquê? em sala de aula durante a Ação Desenvolva!
Foto: Equipe Politiquê? em sala de aula durante a Ação Desenvolva!

Dessa forma, após oito encontros centrados nos eixos política, cidadania e empreendedorismo cidadão, os alunos, após todo o aprendizado adquirido nesse período, são desafiados a criarem seus próprios projetos sociais. É claro que, para isso, eles contam com o apoio de instrutores capacitados pelo Politiquê? para auxiliá-los nessa verdadeira aventura.

No ano de 2015 aconteceu o Piloto-teste da Ação Desenvolva nas duas turmas do 2º ano da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Olinto Victor, no bairro da Várzea, aqui em Recife-PE. Foi uma experiência maravilhosa tanto para os alunos, quanto para os instrutores.

Foto: Alunas da EREM Olinto Victor desenvolvendo suas ideias de empreendedorismo cidadão
Foto: Alunos da EREM Olinto Victor desenvolvendo suas ideias de empreendedorismo cidadão

Prometo contar tudo o que aconteceu por lá em posts futuros! Por enquanto, deixo o registro de alguns momentos especiais que tive a oportunidade de vivenciar ao participar do “Desenvolva!”. Até a próxima! 🙂


[1]Brainstorming: em português, tempestade de ideias.